Segundo passo: do 8 ao 80
Algumas ideias do Ricardo Semler foram apresentadas no Primeiro Passo. De forma breve, propositalmente. Afinal é só ir no Google, se você quiser tatear um pouco mais. Mas uma dica: muito do “conteúdo”, são as mesmas informações. Repetidas em outros meios. A outra opção é fazer parte de uma experiência. Não só para tatear. Mas para beber direto da fonte.

O experimento está aqui. É uma miscigenação. De fatos. Curiosidades. Ideais. Crenças. Principalmente aquela de que o conhecimento deve fluir. Assim como fluem as músicas do Hermeto Pascoal. É ele quem diz “Minhas músicas são pétalas soltas, estão voando por aí”. Abre parêntese. Para comprovar isso, ele liberou todas as músicas que constam na discografia de seu site. Veja o comunicado oficial aqui. Parece brincadeira. Mas não é. É originalidade. Fecha parêntese.
Só que ao invés de pétalas, serão lançados livros ao vento. Aqueles dois, do Semler. O objetivo é fazer com que as ideias, neles presentes, voem por aí. Voem e contaminem as pessoas.
Mas não é somente isso. Há a parte experimental, a do laboratório. Para exercitar os valores transmitidos nesses escritos. Para praticá-los de fato. A ideia é que os leitores participem ativamente. Premiados sejam todos eles, do 8 ao 80. E não só o primeiro sortudo.
Como vai funcionar? É simples. O primeiro leitor que demonstrar interesse, por um comentário aqui nesse blog, receberá o livro Virando a própria mesa. O último terá ao seu dispor o Você está louco!. Mas como saberemos quem é o último? A princípio será aquele que escreveu o último comentário (óbvio) e que a data da solicitação já tenha mais de cinco dias. Ficou claro? Dependendo da demanda, uma data limite será fixada.
Há uma única regra necessária. Para que as pétalas continuem seu voo, o 8, ao terminar a leitura do livro, envia-o ao 9. E assim por diante. Na ponta oposta, a ordem é inversa: do 80 para o 79. Os livros prosseguem sua viagem, mas as ideias ficam. E se multiplicam.
A partir disso, poderemos exercer alguns valores neles presentes. Liberdade. Responsabilidade. Auto-organização. Comprometimento. Respeito ao próximo. Pra isso, algumas coisas precisam ficar claras:
- Não haverá punição caso uma pétala caia ao chão
- Porém nada impedirá que a auto-organização lance-a novamente ao vento
- Não haverá nenhuma forma de cobrança. Seja por comentários, relatos, dinheiro. Nada. O único gasto incorrido será o do envio
- Lembre-se do Primeiro Passo. São dois livros adquiridos em sebo. O “Você Está Louco!” está praticamente novo. O outro, é mais antigo, mas está preservado apesar das páginas um pouco gastas
- Depende apenas de vocês para o experimento ser rico
- Por fim, não haverá nenhuma forma de comando. Nem de controle
Há riscos para o autor que vos escreve. O maior é ninguém participar. Consideraria uma (desagradável) surpresa. E no final, que serão dos livros? Pétalas ao vento. Acostumemos com a liberdade. E responsabilidade. Mas antes do fim, um pequeno aperitivo-reflexão do “Você Está Louco!”:
“Passamos cerca de um terço (no mínimo, um quarto) da vida estudando. Depois, um pouco mais de um terço (nunca mais do que metade) trabalhando, e, por fim – com o aumento de longevidade – um quarto da vida aposentados.
Se sobrepusermos, num gráfico, o ciclo de tempo livre, riqueza e saúde, temos um dos demonstrativos mais cabais da estupidez do sistema. Não é por acaso que o sistema de seguridade e saúde de quase todos os países está quebrado.

O gráfico mostra um ciclo parecido com o de um sino, quando lida com riqueza. Tem-se pouco dinheiro, depois o teto durante o auge do trabalho, e depois, no fim da vida, pouco novamente. O quadro de tempo disponível é um “U”. Tem-se muito tempo na infância – mesmo com a escola – , depois cada vez menos e, depois da aposentadoria, tempo demais.
Por último, a linha de saúde é um decrescente absoluto, descendo linearmente até a concordata e, depois, falência do corpo.
Se fizer a sobreposição dos três gráficos, veremos que temos dinheiro quando não tempo para usufruí-lo, tempo quando não temos mais dinheiro seguro, e a possibilidade de gozar da natureza e dos esportes quando não temos mais saúde para tanto. Conseguirá alguém bolar uma maneira menos inteligente de distribuir uma vida?
(…)
Assim nasceu, em 2005, o programa Aposente-se um pouco da Semco.”
E que venham outros passos!

Bom dia, Shigueru!
Podemos começar a jogar o conhecimento ao vento? Aceito o ‘desafio’.
Olá Gerson,
Considere iniciado! Me envie os dados de correspondência em pvt!
Obrigado pela participação!
[]s
Shigueru.
Toc toc… posso entrar? hehe..
Abraços Shigueru. E parabéns pela experiência!
Paulo
Será uma honra! Inclusive, se eu for o último já li e falei sobre o “Você está louco!” em outros carnavais.
Parabéns pela iniciativa!
PS: A partir de agora me chamo número 10 (eu acho)!
Estou nessa Shigueru, já havia pensado em algo assim antes, mas não cheguei a ter a sua boa vontade, muito bacana!
Show de bola, bem “caórdico”! Estou para ler esses livros faz tempo, será que não é a oportunidade ideal?
grande abraço
Oi Kerber,
Gostei do “caórdico”! Aliás o livro do Dee Hock está no backlog de leituras. Você já leu? Gostou?
[]s
Shigueru.
Li sim, e gostei bastante. A história em si é impressionante, e os conteitos que ele desenvolveu a partir dela também são muito bons.
Falando no nosso mundinho de sistemas, a forma com a qual o primeiro sistema da visa foi desenvolvido é impressionante.
http://blog.kerber.com.br/livro-lendo-nascimento-da-era-caordica
Paulo, Saulo e Ivan
Obrigado! Sejam bem-vindos ao experimento.
[]s
Shigueru
shigeru, como sempre você surpreende. gostaria de ler segundo livro, mas espero recebe-lo pela corrente. não gastaria de saber que eu fui o último a postar no seu blog.
sucesso.
Oi Ricardo,
Que bom que tenha gostado. Por enquanto você é o último (e aqui isso é bom).
[]s
Shigueru
Olá Kerber,
Obrigado pela referência. Você teve a impressão de que toda a integração que falamos hoje, com a Web, a Visa já tinha chegado nisso há um bom tempo? É claro, resguardando as devidas proporções e o nicho.
Ah, do jeito que estamos, será a oportunidade ideal sim!
[]s
Shigueru.
É, o grande barato dessa história foi que para crescer as pessoas tiveram que abrir mão do controle e confiar na capacidade auto organização.
Foram dois momentos críticos, o primeiro, quando o Bank of America permitiu que o seu programa de cartão de crédito fosse regido por uma comissão formada pelos bancos parceiros, comissão que deu origem à Visa, o segundo, quando a própria comissão permitiu que os bancos parceiros estrangeiros também fizessem parte da administração do programa.
Veja que eles foram coerentes com o princípio original.
Dentro da Visa, o ambiente era de colaboração constante, para se ter uma ideia, até hoje ninguém sabe quem sugeriu o nome “Visa”. Foram tantas discussões e sugestões que o nome acabou emergindo do caos.
O mesmo aconteceu com o primeiro sistema de transações, o projeto feito por experts custaria muito caro e não tinha muito a ver com o que eles precisavam. Dee resolveu tocar o desenvolvimento por conta, aos poucos foram aparecendo pessoas dentro da equipe com habilidades de desenvolvimento.
O sistema saiu mais rápido e mais preciso do que o esperado. Ahh, eles começaram colocando tudo o que tinha que ser feito em uma parede
O que fazemos hoje, construindo a web enquanto batemos papo através dos comentários no seu blog já tinha suas sementes naquela organização.