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fevereiro 5, 2010 / Shigueru

Batata! Nem tanto assim

Combatente na Segunda Guerra Mundial e ilustre imigrante. Esse foi o Sr. Enzaburo Nakabayashi. Chegou no Brasil no final dos anos 50. E assim como
muitos outros japoneses, foi trabalhar no campo.

Naturalmente, enfrentou muitas dificuldades. Relativas à cultura e costumes. Sobretudo pela língua e hábitos alimentares. Adversidades que foram superadas. Pelo aprendizado do português. Pela adaptação a novos tipos de alimentos. Ou ao cultivo dos originários da terra natal. O arroz, por exemplo, tão importante na culinária japonesa.

Lavoura de Batata

Havia bastante diferença entre as culturas. E nos valores. E foi nessa esfera que a história a seguir aconteceu.

Já dono de seu próprio cultivo, empregava trabalhadores no seu plantio de batatas. Os boias-frias. Era costume na época que o pagamento fosse feito sempre ao final do dia. Era necessário reuní-los. E pagar a cada um, a quantia devida. Todo santo dia.

É natural notar que isso não era eficiente (imagine se ainda fosse assim). Então, o Sr. Enzaburo fez uso de seu bom senso, e resolveu pagá-los adiantado, uma semana inteira.

É provável que tenha optado por antecipar, prevendo a resistência dos trabalhadores, caso o dinheiro fosse entregue uma semana depois. E acreditou também que cada um tivesse um mínimo de responsabilidade. E honestidade.

Qual não foi sua surpresa ao ver que, no dia seguinte, não havia nenhuma alma na plantação! No outro também. Apareceram todos, exatamente uma semana depois. Questionados, responderam com a maior naturalidade: “Como o senhor pagou uma semana inteirinha, achávamos que não precisávamos mais vir”. Estava explicado. Meu avô, sisudo que era, deve ter tido uma “córera” nesse dia.

A falta foi não ter considerado a cultura e os valores. Confesso que também não os teria. Era tão estapafúrdia que uma coisa daquelas poderia acontecer. Nunca deve ter passado pela cabeça dele.

A lição ficou. Pelo menos. Mesmo que soluções óbvias e naturais nos passem pela mente, é preciso saber em que barro pisamos. Assim como as batatas, as ideias precisam de um terreno fértil para crescer.

Pense nisso quando apresentar sua próxima boa ideia.

2 Comentários

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  1. Jefferson Velasco / fev 9 2010 13:43

    Genial… uma pequena crônica (por assim dizer) que traz uma tonelada de informações nas entrelinhas.

    • Shigueru / fev 9 2010 18:21

      Oi Jefferson,

      Observador como sempre! Irei tratar de assuntos relacionados a inovação nos próximos posts. Espero atender as expectativas.

      Obrigado pela visita.

      []s

      Shigueru.

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