Batata! Nem tanto assim
Combatente na Segunda Guerra Mundial e ilustre imigrante. Esse foi o Sr. Enzaburo Nakabayashi. Chegou no Brasil no final dos anos 50. E assim como
muitos outros japoneses, foi trabalhar no campo.
Naturalmente, enfrentou muitas dificuldades. Relativas à cultura e costumes. Sobretudo pela língua e hábitos alimentares. Adversidades que foram superadas. Pelo aprendizado do português. Pela adaptação a novos tipos de alimentos. Ou ao cultivo dos originários da terra natal. O arroz, por exemplo, tão importante na culinária japonesa.
Havia bastante diferença entre as culturas. E nos valores. E foi nessa esfera que a história a seguir aconteceu.
Já dono de seu próprio cultivo, empregava trabalhadores no seu plantio de batatas. Os boias-frias. Era costume na época que o pagamento fosse feito sempre ao final do dia. Era necessário reuní-los. E pagar a cada um, a quantia devida. Todo santo dia.
É natural notar que isso não era eficiente (imagine se ainda fosse assim). Então, o Sr. Enzaburo fez uso de seu bom senso, e resolveu pagá-los adiantado, uma semana inteira.
É provável que tenha optado por antecipar, prevendo a resistência dos trabalhadores, caso o dinheiro fosse entregue uma semana depois. E acreditou também que cada um tivesse um mínimo de responsabilidade. E honestidade.
Qual não foi sua surpresa ao ver que, no dia seguinte, não havia nenhuma alma na plantação! No outro também. Apareceram todos, exatamente uma semana depois. Questionados, responderam com a maior naturalidade: “Como o senhor pagou uma semana inteirinha, achávamos que não precisávamos mais vir”. Estava explicado. Meu avô, sisudo que era, deve ter tido uma “córera” nesse dia.
A falta foi não ter considerado a cultura e os valores. Confesso que também não os teria. Era tão estapafúrdia que uma coisa daquelas poderia acontecer. Nunca deve ter passado pela cabeça dele.
A lição ficou. Pelo menos. Mesmo que soluções óbvias e naturais nos passem pela mente, é preciso saber em que barro pisamos. Assim como as batatas, as ideias precisam de um terreno fértil para crescer.
Pense nisso quando apresentar sua próxima boa ideia.


Genial… uma pequena crônica (por assim dizer) que traz uma tonelada de informações nas entrelinhas.
Oi Jefferson,
Observador como sempre! Irei tratar de assuntos relacionados a inovação nos próximos posts. Espero atender as expectativas.
Obrigado pela visita.
[]s
Shigueru.