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outubro 11, 2010 / Shigueru

1,99

Esse ano tivémos o lançamento do iPad. De outros tablets também. E com eles, várias apostas. Questões que estavam ficando (relativamente) antigas viraram notícias novamente. Agora com um novo tempero. Um novo “inimigo” que não é mais apenas um Kindlle.

“Será o fim da mídia impressa?” – Provavelmente a questão mais recorrente.

Meses depois começaram surgir as revistas digitais. Agora elas poderiam desfrutar da praticidade e comodidade proporcionada por um iPad.

Próximo ao tamanho de uma revista. Consideravelmente leve (~ 700 gramas). Prático. Nem tanto quanto uma revista impressa, mas bem melhor que um net(note)book.

A primeira edição da Veja (08/10) é grátis. Ponto positivo pra Editora Abril. Nada melhor do que isso pra despertar a curiosidade do público. Trabalho bem feito. Sem muito novidade. Alguns pecados, como infográficos no meio da matéria (esqueceram que somente a impressa é como um livro aberto, com duas páginas). Arriscaram um vídeo. Poderiam ter sido mais criteriosos na escolha. Imagine um vídeo que ilustra muito bem a crueldade dos homens contra os animais. Imagine também fotos sanguinolentas com todo o contraste e qualidade de imagem que o iPad proporciona.

Ok, é apenas a primeira versão. E que maravilha por não ser poluída de propagandas. É como imaginar São Paulo antes e depois da lei Cidade Limpa. É como descobrir, depois de estar num local silencioso, que a barulheira sempre existiu. E que não gostamos dela. Apenas nos acostumamos a ela. Aprendemos a suportá-la. Da mesma forma que suportamos o bombardeio de propagandas. Creio que esse tipo de choque seja natural. Assim como deve ser natural ignorar os seus efeitos. O que deve ter acontecido com aqueles que bolaram os vídeos de propaganda em meio a revista. Se ao contrário da TV, agora você tem o poder de ignorar um anúncio, o que te levaria a ver um vídeo voluntariamente? Curiosidade talvez. Assim o fiz. Não até o fim é claro.

São ranços do antigo modelo. E que culminaram na definição do preço. 4,99 dólares. Se por um lado na edição física há dezenas de propagandas para gerar ganhos, além das assinaturas e vendas avulsas que contrabalanceiam as edições não vendidas, o gasto com a distribuição e impressão, por quê alguém compraria a edição digital custando míseros 40 centavos a menos?*

Não há custos com impressão e distribuição. Não há sobras. Além disso, pode-se conhecer cada um que compra. Quem parou de comprar. Pode-se saber quem “clicou” em determinada propaganda. Puxa! Ter tudo isso a mais e continuar a cobrar quase o preço de uma edição física? Uma revista impressa eu empresto facilmente. Ou dou-a de graça e anulo uma venda. Com o iPad não.

Talvez não tenha sido feito um estudo do quanto realmente custa uma edição para iPad. Ou foi o receio de canibalizar as próprias vendas. Os atuais clientes poderiam optar pela versão mais barata. Podem ter pensado: “Pra não arriscar, deixe como está. E se estivermos deixando de ganhar (perdendo), nunca saberemos o quanto.”. É a tranquilidade que o estado de ignorância proporciona. Talvez foi isso que aconteceu.

Por outro lado, o peso da operação atual pode ter sido o obstáculo. Seria necessário a adesão de muitos leitores à versão digital para que isso realmente refletisse em menores custos e que justificasse a perda ocasionada por um eventual “desconto”. Do contrário, ocasionaria apenas um menor faturamento. Isso somente é verdade se for descontado (ou ignorado) o potencial de aumento de vendas. Graças a facilidade de aquisição e a possibilidade de oferecer um conteúdo bem mais rico (por exemplo, pela junção de diferentes tipos de mídia).

Se a justificativa do preço tiver sido similar a essa, grande oportunidade para novas empresas. Imagine uma pequena editora que já nascesse nesse mundo. Que não precisasse mais de uma grande rede de distribuição. Que não precisasse mais de grandes contratos de publicidade. E que vendesse apenas o que interessa aos leitores: o conteúdo!

Não assino essa revista. Geralmente leio na casa de familiares. Consultórios. Cafés. Cogitei mudar de atitude quando foi criada a versão para iPad. Continuando na mesma, só mudando a forma, prefiro eu continuar na mesma. Edição digital do jeito que está, só se for a 1,99.

* Arredondando para 5 doláres (a R$ 1,70), dariam 8,50 reais contra 8,90.

abril 29, 2010 / Shigueru

Mei@ Informação

Disponível. Abrangente. Instantânea. Barata. São algumas características da Informação que a Web potencializou. Afinal, se você tiver interesse sobre gastronomia e vinhos, por exemplo, basta ir ao Google e voi là. Inúmeros artigos, blogs, revistas, jornais. Todos a sua disposição em apenas alguns décimos de segundo.

Uma característica marcante de muitas dessas fontes é sua brevidade. São superficiais. Voltado a um público que deseja uma leitura rápida. Sem compromisso. Inconsciente desse propósito, tem-se uma perigosa armadilha.

A quantidade de informação, retalhos, criam a falsa sensação de profundidade. De domínio sobre um determinado tema. Para engrossar o caldo, a ausência do hábito de leitura, que poderia encorajar textos mais longos e elaborados . Também há o senso exagerado de urgência. Afinal, vivemos num mundo muito dinâmico, não? Mentira.

Combine esses ingredientes com o e-mail. Fórmula certa para desentendimentos. Imagine os tais Profissionais do Conhecimento*. Quantos não são movidos a e-mail? “Olha só, como minha caixa tá cheia! Tô cheio de trabalho**?”. Diz nosso trabalhador, esboçando até orgulho. Ansiedade também. De vez em quando, fica triste e solitário ao ver que recebeu apenas meia dúzia de mensagens no dia.

Dependendo do cargo, da “sorte” e da normalidade, nosso amigo aí recebe vários e-mails por dia. Todos urgentes, é claro. Entre um Alt+Tab e outro (já que o chefe sempre pode estar de olho), entre um aviso de novo e-mail e uma notificaçãozinha do GTalk e outra, ele trabalha.

Acostumado a olhadelas sorrateiras em sites de notícias, um clique e outro numa loja virtual, uma risadinha presa da última piada que o amigo enviou, ele aplica a mesma técnica em suas atividades profissionais. Lê tudo muito rápido. E entende (pelo menos é o que ele diz, na maioria das vezes) tudo de primeira. “Já sei, é só mandar pro Ciclano de Tal que tá resolvido. Hmm…., mas talvez, bom, mandei. Que eu tava fazendo mesmo? Ah é, a vacina contra a H1N1…” Alt+Tab.

Essa análise rápida, instantânea, extrapola o pessoal e chega até ao profissional. Pior. Torna-se rotina. Daí surgem as falsas soluções. Que antes de se mostrarem ineficazes, pulverizaram várias caixas de e-mails. E roubaram para sempre preciosos minutos de atenção. Falta de comprometimento? Ou uma vítima?

Comprometimento parece ser a questão. Mas talvez ela seja mais profunda. O Flávio, tempos atrás recomendou um artigo muito interessante. Fala sobre o lado menos romântico dessa Era da Informação que vivemos. O título original do artigo é “Is Google Making Us Stupid?”. Decerto, polêmico. Entretanto uma bela reflexão.

Daí ter lançado a questão sob a perspectiva de vítima. A capacidade de interpretação tem sido deixada de lado. Numa vastidão de informações, isso deveria ser imprescindível. Deveria ser exercitada. Se possível todos os dias. Livros, que tal?

Porém os maus companheiros sobressaem. É a urgência. É a leitura superficial. É a caixa-de-entrada lotada. É o e-mail usado como trincheira. A barreira que protege a moral de seu criador. A artimanha usada mesmo que uma conversa ao telefone ou mesmo face-a-face seja o meio mais adequado. Porém ela não é 100% segura. Sua fraqueza, ironicamente, ocorre quando o amadorismo entra em ação. Por vias aéreas. É o Fulano que conhece o Beltrano (alguém muito influente) que tá com o problema.

Recebeu um e-mail? O quê fazer para mudar?

Leia com atenção . Interprete. De verdade. Use a cabeça. Pense no caso. E no colega, antes de encaminhar o e-mail. Não ficou claro? Leia novamente, com mais calma. Ainda não? Peça auxílio à pessoa ao lado, se for possível interrompê-la. Tá difícil? Ligue. Não se esconda na trincheira enviando um e-mail dizendo apenas um displicente e pobre “Não entendi”.

* Cosmético, mas não tão ruim quanto Colaborador
**Trabalho ou incêndios? Por quê serão os incêndios tão comuns? Algum ciclo vicioso a vista?

abril 14, 2010 / Shigueru

Expresso

Correria.

Rotina.

Saudável é mantê-los assim. Distantes. Se muito próximos, o pensamento fica de lado. A reflexão também. Parece que a cabeça fica oca. Mas ao mesmo tempo cheia. De ar. Será? Por que então as ideias ficam sufocadas?

Uma releitura do Ócio Criativo. Boa! Antes termine com isso…

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